Esta é a minha primeira experiência a fazer voluntariado.
O que começou com a ideia de ajudar as crianças da ala pediátrica, transformou-se, em algo que na altura nem era possível imaginar. Depois da minha primeira reunião com o presidente da LAHBD ficou decidido que o nosso tema seria o cancro da mama, mais precisamente, as mulheres mastectomizadas.
Nessa mesma reunião cada elemento do grupo ficou com uma palavra. No meu caso, escolhi a vergonha. Esta palavra refere-se ao que a mulher sente quando o peito lhe é retirado. Para quem não percebe o porquê da vergonha, basta imaginar o que é, ao irem à praia, não poderem usar biquíni ou mesmo um fato de banho, porque não têm peito/mamas. Esta é uma das principais razões que me levou a escolher esta palavra, acho horrível que em algum momento das nossas vidas sejamos escravas da vergonha. É urgente acabar com este problema.
Cada uma de nós teve que fazer um texto sobre essa palavra, aqui está parte do meu:
“O peito é, para a mulher, aquilo que a faz sentir-se como tal. Com a mastectomia, a mulher poderá mesmo chegar a perder o peito por completo, assim surge a vergonha. A vergonha de sair a rua, de ir à praia, de vestir certas roupa, de interagir com outras pessoas, principalmente com as que mais ama. A mulher tem vergonha do seu corpo, dela própria. A vergonha, em alguns casos, é tão grande que a leva ao suicídio. Quem não morre da doença, pode morrer da cura. (…). Mas esta vergonha pode ser ultrapassada com o devido apoio e ajuda. Também as próteses assim como os soutiens que as sustêm desempenham um papel fundamental na resolução do problema, mas são demasiado caros. Assim, existem mulheres que continuam escravas da sua vergonha e têm medo de se olhar espelho, devido à burocracia. Sem dúvida, que os implantes mamários seriam a melhor opção para resolver o problema, mas estes são tão caros que a maior parte das mulheres nem “sonham” em recorrer a eles.”
Como já devem ter percebido este problema afecta maioritariamente as mulheres, apesar de também haver homens que sofrem de cancro da mama. Os números são estes:
Novos casos novos por ano: 150 000
Mortes por ano: 44 000
«O cancro da mama é o cancro mais comum nas mulheres americanas, sendo responsável por 27% dos casos de cancro das mulheres, e a sua incidência está a crescer gradualmente. A incidência nas mulheres de raça branca é um pouco maior do que nas mulheres de raça negra. Nas partes do mundo onde a incidência de cancro da mama é alta, como nos EUA, Canadá, Europa Ocidental e Austrália, o risco maior verifica-se aos 65 anos.» Fonte
Deixo-vos aqui algumas questões para reflectirem e espero encontrar as vossas respostas nos comentários. Não tenham vergonha.
Já alguma vez fizeram voluntariado?
Já tiveram algum familiar ou amigo com este problema?
Contem-nos a vossa experiência.
Até à próxima.
Susana Marques